O que a reforma da Previdência tem a ver com você?

Michel Temer quer que todo mundo acredite que o problema é a aposentadoria do povo

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O ex-ministro da Previdência nos governos Lula e Dilma, Carlos Eduardo Gabas, esteve em Mogi Mirim mais uma vez para falar sobre a proposta atual de reforma da Previdência, negociada ao longo do ano pelo governo Temer. Dessa vez, Gabas utilizou a tribuna da Câmara Municipal para levantar esse pertinente debate.

“Não é uma reforma, é um desmonte”, fez questão de frisar várias vezes. Gabas criticou a reforma proposta por não atacar as raízes do problema e por não haver diálogo com a sociedade. “Nós queremos uma reforma, sim. Mas não essa que destrói direitos”, afirmou.

Questões partidárias a parte, concordo em número, gênero e grau com o discurso do ex-ministro. Aliás, nesse sentido, li uma reportagem da BBC Brasil em que o professor da USP Jorge Felix, autor de livros sobre o assunto, aponta o principal problema da reforma da Previdência: o tempo de contribuição.

Ele diz que o mínimo de 25 anos é excessivo e inalcançável para boa parte dos brasileiros. “As pessoas não conseguem atingir esse tempo. Dados já mostraram que, pelas novas regras, 90% dos que recebem o benefício hoje não conseguiriam se aposentar”, declarou à reportagem. Nesses 90%, incluo o presidente Michel Temer, aposentado desde os 55 anos.

É evidente que o país precisa, sim, repensar sua forma de sustentar a Previdência Social. A fórmula atual está ultrapassada porque a população cresceu e envelheceu. Longe de mim querer propor uma alternativa, pois não sou especialista no assunto. Mas como um dos milhões de brasileiros que será atingido pela reforma, sou veementemente contra o que Michel Temer propõe.

Aliás, se a Previdência é deficitária hoje, a culpa é do governo. Não é de se entranhar que, com a altíssima carga de impostos brasileira, com PIS, Cofins e afins, ainda falte dinheiro? A explicação principal está na Desvinculação de Receita da União (DRU), proposta por Dilma e apoiada depois por Temer, que permite o Executivo tirar 30% das receitas vinculadas por lei à Previdência, Assistência e Saúde, para aplicar sabe-se lá onde. Ora, com 30% a menos de receitas, é claro que a Previdência se tornou insustentável.

O governo de Michel Temer quer que todo mundo acredite que o problema é a aposentadoria do povo, do professor, do trabalhador rural, ao mesmo tempo em que concede R$ 1 trilhão em isenção fiscal para as petrolíferas estrangeiras. De tão impopular (para não utilizar um palavrão como adjetivo), a reforma da Previdência está passando por várias modificações em sua proposta original, porque nem os deputados, aqueles que estão distantes do povo lá em Brasília, se sentem confortáveis em aprovar essa aberração. É o mais forte indício que boa coisa essa reforma não é.

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Foto: Beto Barata/PR

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